> W. H. Auden

The More Loving One

 

Looking up at the stars, I know quite well 

That, for all they care, I can go to hell, 

But on earth indifference is the least 

We have to dread from man or beast. 

 

How should we like it were stars to burn 

With a passion for us we could not return? 

If equal affection cannot be, 

Let the more loving one be me. 

 

Admirer as I think I am 

Of stars that do not give a damn, 

I cannot, now I see them, say I missed one terribly all day. 

 

Were all stars to disappear or die, 

I should learn to look at an empty sky 

And feel its total dark sublime, 

Though this might take me a little time.

Funeral Blues

 

Stop all the clocks, cut off the telephone, 

Prevent the dog from barking with a juicy bone, 

Silence the pianos and with muffled drum 

Bring out the coffin, let the mourners come. 

 

Let aeroplanes circle moaning overhead 

Scribbling on the sky the message He Is Dead, 

Put crepe bows round the white necks of the public doves, 

Let the traffic policemen wear black cotton gloves. 

 

He was my North, my South, my East and West, 

My working week and my Sunday rest, 

My noon, my midnight, my talk, my song; 

I thought that love would last for ever; I was wrong. 

 

The stars are not wanted now: put out every one; 

Pack up the moon and dismantle the sun; 

Pour away the ocean and sweep up the wood, 

For nothing now can ever come to any good

4 Manuel Bandeira

Vou me embora pra Pasargada

Vou-me embora pra Pasargada
La sou amigo do rei
La tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasargada

Vou-me embora pra Pasargada
Aqui nao sou feliz
La a existencia e uma aventura
De tal modo inconsequente
Que Joana a Louca de Espanha
Rainha e falsa demente
Vem a ser contraparente
Da nora que nunca tive

E como farei ginastica
Andarei de bicicleta
Montarei em burro bravo
Subirei no pau-de-sebo
Tomarei banhos de mar!
E quando estiver cansado
Deito a beira do rio
Mando chamar a mae-d'agua.
Pra me contar historias
Que no tempo de eu menino
Rosa vinha me contar
Vou-me embora pra Pasargada

Em Pasargada tem tudo
E outra civilizacao
Tem um processo seguro
De impedir a concepcao
Tem telefone automatico
Tem alcaloides a vontade
Tem prostitutas bonitas
Para gente namorar

E quando eu estiver mais triste
Mas triste de nao ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de me matar
La sou amigo do rei
Terei a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasargada.
 

 

 

 

> Charles Baudelaire

A Une Passante

La rue assourdissante autour de moi hurlait.
Longue, mince, en grand deuil, douleur majestueuse,
Une femme passa, d'une main fastueuse
Soulevant, balancant le feston et l'ourlet ;

Agile et noble, avec sa jambe de statue.
Moi, je buvais, crispe comme un extravagant,
Dans son oeil, ciel livide ou germe l'ouragan,
La douceur qui fascine et le plaisir qui tue.

Un eclair... puis la nuit! - Fugitive beaute
Dont le regard m'a fait soudainement renaitre,
Ne te verrai-je plus que dans l'eternite ?

Ailleurs, bien loin d'ici! trop tard! jamais peut-etre!
Car j'ignore ou tu fuis, tu ne sais ou je vais,
O toi que j'eusse aimee, o toi qui le savais!

In Passing (translation by Richard Howard)

The traffic roared around me, deafening!

Tall, slender, in mourning - noble grief

a woman passed, and with a jeweled hand

gathered up her black embroidered hem;

stately yet lithe, as if a statue walked ...

And trembling like a fool, I drank from eyes

as ashen as the clouds before a gale

the grace that beckons and the joy that kills.

Lightening ... then darkness! Lovely fugitive

whose glance has brought me back to life! But where

is life - not this side of eternity?

Elsewhere!  Too far, too late, or never at all!

Of me you know nothing, I know nothing of you - you

whom I might have loved and who knew that too!

> Carlos Drummond de Andrade

           No Meio do Caminho 

No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra.

Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tao fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra.

         Jose

E agora, Jose?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, Jose?
e agora, Voce?
Voce que e sem nome,
que zomba dos outros,
Voce que faz versos,
que ama, protesta?
e agora, Jose?

Esta sem mulher,
esta sem discurso,
esta sem carinho,
ja nao pode beber,
ja nao pode fumar,
cuspir ja nao pode,
a noite esfriou,
o dia nao veio,
o bonde nao veio,
o riso nao veio,
nao veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, Jose?

E agora, Jose?
sua doce palavra,
seu instante de febre,
sua gula e jejum,
sua biblioteca,
sua lavra de ouro,
seu terno de vidro,
sua incoerencia,
seu odio, - e agora?

Com a chave na mao
quer abrir a porta,
nao existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir para Minas,
Minas nao ha mais.
Jose, e agora?

Se voce gritasse,
se voce gemesse,
se voce tocasse
a valsa vienense,
se voce dormisse,
se voce cansasse,
se voce morresse....
Mas voce nao morre,
voce e duro, Jose!

Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja do galope,
voce marcha, Jose!
Jose, para onde?

         

> Vinicius de Moraes

Soneto da Fidelidade

De tudo, ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vive-lo em cada vao momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento.

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angustia de quem vive
Quem sabe a solidao, fim de quem ama

Eu possa dizer do meu amor (que tive):
Que nao seja imortal, posto que e chama
Mas que seja infinito enquanto dure.

Soneto de Separacao

De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das maos espalmadas fez-se o espanto.

De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a ultima chama
E da paixao fez-se o pressentimento
E do momento imovel fez-se o drama.

De repente, nao mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente.

Fez-se do amigo proximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, nao mais que de repente.

 

> Francisco Otaviano

Ilusoes da Vida

Quem passou pela vida em branca nuvem

E em placido repouso adormeceu;

Quem nao sentiu o frio da desgraca,

Quem passou pela vida e nao sofreu;

Foi espectro de homem, nao foi homem,

So passou pela vida, nao viveu.

 


Last Updated: 07/28/2005 03:21 PM .

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